"Mesmo superdotadas, crianças não devem pular etapas da infância"

João Victor Portellinha prestou vestibular e foi aprovado para o curso de direito da Unip (Universidade Paulista) em Goiânia (GO). Seria uma situação normal, não fosse o fato de João ser um menino de apenas oito anos. Ao saber do resultado, a mãe do garoto o matriculou na quarta-feira (5). O caso gerou polêmica e ontem a Unip confirmou que o menino não poderá ingressar na faculdade.

"Não dá para aceitar uma criança de oito anos cursando uma universidade, mesmo que ela seja superdotada do ponto de vista cognitivo", afirma Neide Noffs, coordenadora do curso de Psicopedagogia da PUC-SP (Pontifica Universidade Católica de São Paulo).
Segundo Noffs, o fato de João ter apresentando uma performance mais adequada não significa que ele deva pular etapas. "Para ser advogado ou para exercer qualquer profissão exige-se não só o conhecimento, mas a maturidade profissional. Esta criança precisa passar pela sua infância, pela sua adolescência, ela não pode passar direto para a fase adulta."
Neide afirma que foi correta a decisão da Unip de não aceitar a matrícula e, mais do que devolver o dinheiro, é preciso chamar os pais do garoto e oferecer uma orientação do que significa realmente ter oito anos. "Esta criança merece respeito. É importante que ele [João] saiba que isto não ocorreu por imposição de adultos, mas para garantir a infância e a adolescência sadia que ele merece. Com oito anos, convivendo com adultos, ele não será feliz", conclui.

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