Culinária é uma atração à parte na Feira dos Povos de Campos

A cultura de um povo também é conhecida por seu paladar e na 1a Feira dos Povos de Campos a culinária não poderia ficar de fora. Dezesseis tendas com comidas típicas de diversas nacionalidades foram montadas e abriram o apetite do público presente.

Do calulu angolano ao cantão, um ensopado de banana verde, oferecido pelo coletivo de mulheres quilombolas Dandaras do ABC, as pessoas puderam degustar sabores de diferentes origens. "O cantão fez sucesso, mas também trouxemos broa de erva doce, bolo de abóbora e sucos naturais. A feira está de parabéns, tudo está um sucesso", disse Erica Martins, representante da Dandaras do ABC que compõem as comunidades de Aleluia, Batatal e Cambuçá, na região do Imbé. Além das Dandaras, os coletivos "As Marias da Baixada" e "Mulheres do Campo Raízes da terra de Fazendinha" também participaram do evento.

A comerciante Valeria da Silva foi uma das pessoas que aproveitou as delícias. "Tudo está muito saboroso. A organização está de parabéns", disse.
Outros pratos que fizeram sucesso foram o acarajé  da Bahia, as massas italianas, as culinárias  chinesa, japonesa, libanesa e etc.

Os visitantes também contaram com um aulão do chef Fabiano Sepé, que ensinou a receita de paella, comida típica  espanhola, e da galinhada com feijão  guandu, prato conhecido  da Baixada Campista.

A expositora Elisângela Matos levou o tempero pernambucano de suas tapiocas recheadas para a feira e aproveitou a aninação do evento para comemorar seu aniversário. "Estou muito feliz e não  poderia ter melhor maneira de comemorar meu aniversário. Campos precisava de um evento cono esse há  muito tempo", disse.


VII Fórum Nacional de Formação Acadêmica e Atuação Profissional do Cientista de Alimentos (Focal)

Que imagem! Ontem ao ministrar a oficina, num determinado momento optei pela participação coletiva dos estudantes de Ciência de Alimentos de diversos Estados Brasileiros, foi uma experiência fascinante, ali pude ver na prática o real sentido da palavra UBUNTU! Bem proximo as réplicas das pirâmides do Egito, não tinha como não ser diferente e vivenciar sentimentos de solidariedade, compartilhamento e boas energias! Foi lindo!

VII Fórum Nacional de Formação Acadêmica e Atuação Profissional do Cientista de Alimentos (Focal)

A Concha Acústica do Sesc Mineiro de Grussaí recebeu, na tarde dessa terça-feira (24), o primeiro evento do VII Fórum Nacional de Formação Acadêmica e Atuação Profissional do Cientista de Alimentos (Focal) – a oficina “A cozinha dos quilombos de Campos dos Goytacazes: sabores, territórios e memórias”, ministrada pelos chefs Fabiano Seixas e Maxwel Gonçalves.
Para Fabiano, o lugar não poderia ter sido mais bem escolhido para falar sobre a África, já que a ornamentação próxima à Concha conta com pirâmides e até uma “esfinge”, símbolos de uma região daquele continente. O chef iniciou a oficina apresentando as receitas escolhidas para a ocasião. “Cantão”, prato tradicional do quilombo d

e Conceição do Imbé; e galinha caipira com feijão Guandu, típica de Campos dos Goytacazes, foram preparadas com o auxílio de todos os participantes, que se reuniram ao redor da mesa para aprenderem não apenas as técnicas, mas também os aspectos históricos relacionados aos alimentos.
A proposta da oficina era incluir os participantes no processo de preparo da receita. Eles se revezaram entre a adição de ingredientes, mistura e prova do produto final, que ao término da aula pôde ser apreciado pelo grupo. O resultado foi a satisfação de todos, a começar pelo chef Fabiano Seixas. “Estamos muito felizes por esse momento brilhante, quando pudemos compartilhar um pouco de nossos sabores e saberes. Campos (dos Goytacazes) e São João da Barra se sentem honrados com a presença de vocês em um espaço tão belo. Que essa estadia seja muito rica pra vocês”, desejou, incentivando todos a conhecerem mais profundamente a história da região e, em especial, dos quatro quilombos locais certificados pela Fundação Cultural Palmares.
Projeto – A oficina é uma das ações do projeto Cores, Sabores e Valores, que objetiva conhecer aspectos históricos e culturais da alimentação no Brasil, reconhecer e divulgar a herança dos negros na cozinha brasileira de hoje e a importância dos hábitos alimentares na formação da identidade cultural do nosso povo.
Mais informações sobre o projeto, bem como as receitas desenvolvidas na oficina podem ser obtidas no site do projeto.

Fórum Nacional de Formação Acadêmica e Atuação Profissional do Cientista de Alimentos (FOCAL) e III Simpósio Nacional em Ciência e Tecnologia de Alimentos

Ubuntu!
Participação no 
Fórum Nacional de Formação Acadêmica e Atuação Profissional do Cientista de Alimentos (FOCAL) e III Simpósio Nacional em Ciência e Tecnologia de Alimentos, com a ministração de uma Oficina de Culinária Regional! Preparação de Cantão (Culinária Quilombola ) e Galinhada Caipira com Feijão Guandu ( Culinária Típica de Campos dos Goytacazes).

Personal Chef

Amiguinhos e amiguinhas, preparei um cardápio especialmente voltado para eventos e confraternizações!
Estou com algumas datas disponíveis! Tudo pensado e feito com muito carinho! Posso garantir, vai ficar gostoso pra caramba!
Como funciona? Você escolhe as preparações que tem interesse (carne, peixe, frango, massas, molhos e sobremesas), e o número de pessoas a serem atendidas, forma de serviço(empratamento, rechauds, talheres, pratos, toalhas, etc), assim como prazo de entrega ou data para preparação no local combinado (home chef, personal chef), com base mas informações, elaboramos o orçamento.
PREPARAÇÕES PROPOSTAS
1. Iscas de Filet Mignon ao Molho Madeira
Arroz à piamontese
Batata dauphinoise
2. Peito de Frango Grelhado recheado com espinafre e mussarela
Arroz sete grãos
Legumes grelhados na manteiga (brócolis, cenoura e couve flor)
3. Salmão Grelhado com molho holandês
Arroz Integral com brócolis
Batata rústica com azeite, alecrim e tomilho
SALADAS
Caprese [manjericão, mussarela de búfala e tomate].
Grega [legumes grelhados (berinjela, abobrinha, pimentões coloridos (amarelo, verde e vermelho cortado em cubos), salsinha, queijo Minas, orégano e azeite].
Waldorf [maçã verde, aipo/salsão, alface, nozes, passas, creme de leite].
Marroquina [cuscuz marroquino, peito de frango desfiado, pimentões coloridos (amarelo, verde e vermelho, cortados em bronoise ), uvas passas e azeite].
Massas – preferencialmente massas italianas a base de grão duro
- Penne
- Fusilli
- Talharim
- Espaguete
Molhos
- Pomodoro (azeite, manjericão e molho de tomate,)
- Quatro queijos (molho branco, catupiry, gorgonzola, mussarela e parmesão)
- Carbonara (bacon, creme de leite, parmesão e ovos)
- Parisiense (molho branco, parmesão, ervilhas e presunto)
Sobremesas: Duo de Brownie com Quindim e Petit Gateau com sorvete de creme.

Cores, Sabores e Valores! A Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes!


 Descrição: https://1.bp.blogspot.com/-fjxX_cwqhjk/WSSWEPOjX4I/AAAAAAAAKz0/cxffnh9tLIAfw86na5W-mr5zn3XBXjQFwCLcB/s1600/16641080_1533427090030604_8149145730218687203_n-200x300.jpg

(…) É necessário que a história não morra, é necessário que os tambores ecoem os cantos vindos nos navios; é necessário dançar, é necessário o cantar, é necessário o reconhecimento, o pertencer, o tirar das amarras para que as vozes vindas da mãe  África não se calem.”

Descrição: https://2.bp.blogspot.com/-CqfRrJI2DI4/WSSWECZTfoI/AAAAAAAAKz4/kXPpmv0SwCIaKR4_AnlamQIhzfzkyD3eACLcB/s1600/16730597_1533426886697291_7531120529954803255_n.jpg


E nos porões sujos dos navios aqui chegamos, contra nossa vontade, nos tornaram escravizados, tratados como mercadorias, comercializados nos portos e nas praças, relegados a condições sub-humanas.. Em nossos países éramos livres… Reis, príncipes, princesas, homens e mulheres com diversas ocupações e profissões. Tínhamos nossa cultura, nossa religião, nossos costumes, nossa comida, nossas cores e nossos diferentes sabores, nossa arte, nossa musica, nossa dança…


Chegamos a Terra do Pau Brasil e contribuímos para a construção deste país, demos nossos sangues e nossas vidas em troca de uma liberdade, e ainda temos muito que avançar para que alcancemos a libertação das novas(?) formas de escravidão. Por diversas vezes nos rebelamos e tivemos que lutar para a sobrevivência, nos agrupamos em lugares longínquos… Longe dos Senhores do Engenho e fugindo dos capitães do mato e dos capatazes… Tempos difíceis…
Oficina de Culinária Quilombola ma UENF

Em Campos dos Goytacazes, passamos a ocupar uma Parque do Parque Estadual do Desengano, área conhecida com Imbé, muita mata atlântica, cachoeiras, fauna e flora riquíssima! Ali nos reunimos nos primeiros quilombos que tem se tem noticia! Plantar e cultivar a própria terra, para dela extrair o alimento para a sobrevivência, para a troca e fixação do homem no seu território, que é marco de resistência!
Hoje damos um passo importante, ocupando este espaço para divulgar  o Projeto Cores, Sabores e Valores e uma das suas ações: as Oficinas de Culinária “A Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes: Sabores, Territórios e Memórias”, que tem como Proposta: Conhecer aspectos históricos e culturais da alimentação no Brasil; reconhecer os hábitos alimentares como um fator importante da identidade cultural do nosso povo; conhecer alguns pratos, utensílios e modos de preparo da cozinha brasileira; reconhecer a herança dos negros e negras na cozinha brasileira de hoje, em especial as preparações da alimentação cotidiana dos remanescentes quilombolas de Campos dos Goytacazes.
A Cozinha dos Quilombos, Sabores, Territórios e Memórias


Descrição: https://4.bp.blogspot.com/-GW_GLY5fMUg/WSSWElb-mAI/AAAAAAAAK0A/jEGPmWu9dq8l4d7M7uqOqCiOIpsMwJACACLcB/s1600/16730639_1533427293363917_1775159377263676544_n.jpg
São ações do Projeto Cores, Sabores e Valores que vão tomando forma e contribuindo para a preservação dos hábitos alimentares e culturais de um segmento tão importante da nossa população, os remanescentes de quilombolas oriundos da Região do Imbé, pois acredito que na comida está um dos mais significativos elos entre a pessoa, sua cultura, entre a pessoa e sua identidade. Os elementos da comida (cor, textura, odor, temperatura, objetos complementares), bem como quantidade e maneiras de ingerir, trazem e ativam conhecimento, reforçando memórias, pois o homem tem fome de símbolos, que se baseia numa interessante pesquisa que resultou no Livro A Cozinha dos Quilombos: Sabores, Territórios e Memórias, lançado recentemente pelo Instituto Dagaz, mapeando os hábitos alimentares dos quilombolas do Estado do Rio de Janeiro, dentre eles os quatro certificados pela Fundação Cultural Palmares.
Ocuparemos este espaço para divulgar os pratos clássicos da culinária quilombola de Campos dos Goytacazes: – Quilombo de Aleluia: Angu com baiano;  Quilombo de Batatal: Ensopado de carne de porco com inhame;  Quilombo de Cambucá: Canjiquinha com carne ralada; Quilombo de Conceição do Imbé: Cantão (carne seca com purê de banana nanica ou caturra verde). Como também outras preparações da culinária brasileira e eventualmente pratos de outros países!
Além do resgate da culinária quilombola, estaremos também divulgando um prato típico da culinária de Campos dos Goytacazes: a galinhada com feijão guandu, que remete as preparações feitas por minha avó, Anilda, com este feijão que é um dos poucos que nasce num pequeno arbusto e hoje é comercializado nas feiras da roça da nossa cidade.



Receita do Prato Cantão

Cantão: um dos clássicos da culinária quilombola!

Cantão

Descrição: https://3.bp.blogspot.com/-7oklD7K37Tw/WSSWEJ0yK1I/AAAAAAAAKz8/2HozoYv1NiYlpvgmIpS9B9u13DCFE6ttwCLcB/s1600/16730264_1533426803363966_6110575021476555366_n-300x225.jpg

Ingredientes:
1 kg de carne seca
2 dúzias de banana nanica ou banana figo verde
Cebola a gosto
Alho a gosto
Cheiro verde a gosto
Modo de preparo
Dessalgar a carne seca fervendo-a cada fervura. Descascar a banana com faca, picar em cubos pequenos e colocar de molho  em água fria. Picar e socar a cebola junto com o alho, refogar em três colheres de sopa de óleo, deixar dourar e acrescentar a carne seca. Deixar cozinhar ate ficar bem macia. Reservar em outro recipiente.
Na panela que foi refogada e cozida a carne, cozinhar também a banana, cobrindo-a com o caldo dessa carne ate que a banana se desmanche. Deixar ferver e engrossar.
Servir com a carne e o arroz branco.
Referência Bibliográfica: A Cozinha dos Quilombos Sabores, territórios e memórias, Instituto Dagaz. Gráfica Ediouro, Rio de Janeiro: 2015.

Homenagem aos amigos e amigas espanhóis ou descendentes: Paella! Uma das mais de 30 que já fiz nos últimos anos. Aqui é  Produção em grande escala, quem sabe faz, não conta histórias. Culinária Internacional, Sabores do Mundo! Um dos momentos mágicos foi quando comecei a ministração das Oficinas do primeiro Projeto: Culinária Internacional e Sabores da Nossa Terra. Depois veio o Cores, Sabores e Valores... muito além de cozinhar, é uma viagem aos diferentes continentes e seus sabores, suas culturas!

Atenção! Certificados da Oficina "A Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes: Sabores, Territórios e Memórias", realizada durante a XIII Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, já estão disponíveis!

Atenção! Informo aos participantes da Oficina de Culinária "A Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes: Sabores, Territórios e Memórias", realizada durante a  XIII Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, "Mostra de Extensão e Pós-Graduação", “Ciência Alimentando o Brasil”, realizada no dia 18/10/2016, na UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), que os certificados de participação podem ser retirados na Sala da Secretaria da Pró Reitoria de Extensão(prédio ao lado da prefeitura do campus), no horário de 9 às 12h e de 14 às 17h, de segunda à sexta-feira, abaixo segue listagem nominal dos participantes certificados:
Ana Maria Nascimento Seixas Pessanha
Anna Laura Nascimento Pessanha
Arlene Gomes Rangel
Bárbara Ferreira Melo
Bia Dantas
Ellen Gagliano Barros
Fabiano Nascimento Seixas
Guilherme Pires de Campos Godoy
Hélia Coelho Mello Isabelle Silva Paravidino
João Ribeiro Amaro de Aguiar
Laura Otal Ribeiro
Leandro Lima Cordeiro
Marcos Vinício Nascimento Pessanha
Maria Angélica da Costa Pereira
Maria Isabel C. S. Paravidino
Maria Lúcia Vicente Seixas
Monalisa Nascimento Seixas
Otávio Augusto de Oliveira Pestana
Pâmella Nascimento Reis
Paulo Cézar Viana Júnior
Pyettro Lorran Nascimento Reis
Seldon Aleixo
Tamires Nunes de Freitas
Vanessa Proêza Maciel
Vinícius Marques Ribeiro


Festival de comidas árabes

Homenagem aos amigos e amigas árabes ou descendentes: Festival de Comidas  Árabes! Produção em grande escala, quem sabe faz! Culinária Internacional, Sabores do Mundo! Um dos momentos mágicos foi quando comecei a ministração das Oficinas do primeiro Projeto: Culinária Internacional e Sabores da Nossa Terra. Depois veio o Cores, Sabores e Valores... muito além de cozinhar, é uma viagem aos diferentes continentes e seus sabores, suas culturas!


Sushis e sashimis

Homenagem aos amigos e amigas japoneses ou descendentes: Festival de Sushis e sashimis. Produção em grande escala, quem sabe faz! Culinária Internacional, Sabores do Mundo! Um dos momentos mágicos foi quando comecei a ministração das Oficinas do primeiro Projeto: Culinária Internacional e Sabores da Nossa Terra. Depois veio o Cores, Sabores e Valores... muito além de cozinhar, é uma viagem aos diferentes continentes e seus sabores, suas culturas!

Matéria no Portal do IFF:

11/01/17 - Circuito Trilha do Baobá

O evento, que marcará o plantio do Baobá no Polo de Inovação, contará com palestras, culinária e apresentações da cultura afro-brasileira.

 O Polo de Inovação Campos dos Goytacazes (PICG) do IFFluminense sediará, na próxima quarta-feira, dia 11 de janeiro, das 14 às 18h, o Circuito Trilha do Baobá, que tem o objetivo de marcar a trajetória e a cultura do negro em municípios da região Norte Fluminense, por meio do plantio de mudas de Baobá, árvore sagrada dos povos africanos, em áreas que tiveram forte presença de negros escravizados.

 Com o tema “Alimentando harmoniosamente a Trilha do Baobá”, o evento é uma promoção conjunta do Polo de Inovação, Instituto Historiar e Projeto Cores, Sabores e Valores. Na ocasião, será realizado o plantio de uma das mudas de Baobá, que foram germinadas na Casa de Vegetação do PICG.

 “Já realizamos o plantio de mudas germinadas no Solar do Colégio, em Campos dos Goytacazes; em São João da Barra e em São Francisco de Itabapoana. A escolha do Polo foi feita em virtude dele estar situado em área próxima a uma fazenda, sede de um antigo matadouro, onde muitos negros trabalharam na criação de gado”, explica Hélvio Cordeiro, do Instituto Historiar.

 A programação do Circuito Trilha do Baobá contará com palestras, apresentação musical com Jéssica Passos e Leandro Cordeiro e aula show de Culinária Quilombola e Afro-brasileira com os chefes de cozinha Fabiano Seixas e João Aguiar e da Professora e Pedagoga, Leandra Pires.

 Veja, abaixo, o cartaz produzido pelos organizadores do evento:

Salve o novo Baobá de Campos Dos Goytacazes!

Hoje damos um passo importante na preservação dos valores, dos costumes e das tradições dos povos africanos que formaram a nossa cidade e Nação.

De diferentes países da África, aqui chegaram e trouxeram contigo elementos ligados a religiosidade, a música e para tornar ainda mais rica nossa flora, veio o Baobá.
Uma árvore diferente, em quase todos os aspectos e significados.
Ao plantá - lo, fazemos um resgate histórico e cultural, que não fica no campo do folclore, mas do multiculturalismo, tendo em vista os diferentes agentes que somarão conosco nesta ação!
Venha conosco e construa a nossa História que é viva!

Este retorno às origens por homens e mulheres negras passa por caminhos
cada vez mais carregados de significados simbólicos, míticos, marcados pela
tradição oral e dos ancestrais. São territórios para alguns totalmente novos. Para outros, no entanto, é um retomar caminhadas já percorridas, revelando-se
desatentos a valores que ali estavam registrados da história do povo negro.

 Circuito Trilha do Baobá,  edição  de Campos dos Goytacazes. 11 de Janeiro de dois 1000 e deze7!

Na foto: Baobá da Beira Valão.

Circuito Trilha do Baobá

Obrigado! Foram momentos mais que especiais! Um grande passo foi dado. Um novo exemplar de Baobá encontra - se plantado em nossa cidade! O Circuito Trilha do Baobá cada dia é ainda mais real e consolida como um marco de resistência afro-brasileira. Plantação, Artes Musicais, História, Geografia, Gastronomia, Pedagogia, Agronomia, e tantas ciências que se convergem,  são tantos saberes e sabores que se misturam e assim o Projeto Cores, Sabores e Valores, junto ao PICG e Instituto Historiar se abre ao diálogo com que esta na luta pela libertação e emancipação do nosso povo.

Circuito Trilha do Baobá!


"Só eu posso, não posso sozinho...
Nada se compara a um grupo tentando e conseguindo um mesmo propósito!"

Agradecer... Reconhecer a participação de cada um na construção de uma ação tão brilhante!

Eliana, imagens fascinantes.
João, você é fundamental para o sucesso e êxito das nossas ações.
Helvio, amigo, irmão, pensador e entusiastas nas questões ligadas à Cultura e Africanidades.
Leandro, perfeito nas composições, harmonia e arranjos, cada vez mais sensacional.
 Jessica, sua voz suave, seu talento fazer de você um ícones da nossa musicalidade.
Leandra, grande amiga, incentivadora e ativista educadora na aplicação e execução da Lei  10.639-03 nas salas de aulas.
Welliton, visionário, parceiro, entusiasta, clicks perfeitos e um link com o IFF.
Rogerio Atem, grande amigo, Gestor Público antenado e colaborativo, um grande Cientista, sou fã!
Analice, brilhante Geógrafa e professora! Seus estudos ligados a Africanidade em SJB nos linkam cada vez mais. Ilustre presença!
Raquel, amiga, designer, sempre presente presente e incentivando nossas ações.
Equipe #PICG: zelam, cuidam e prestativos. Fazem daquele espaço um ambiente cada vez melhor.
Minha família: incentivadora, apoiadora dos meus projetos, quando os mesmos parecem loucuras.
Meus amigos e amigas: importantes e necessários para o sucesso e êxito de todas as nossas ações e projetos!

Fotos: Welliton e Eliana.

Oficina de culinária Afro-brasileira cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes

Respeite a camisa que a gente suou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou
E quando pisar no terreiro
Procure primeiro saber quem eu sou
Respeite quem pode chegar onde a gente chegou"  Moleque Atrevido,  Jorge Aragão.

Para alguns, apenas um pedaço de papel, para mim, um projeto que implementa na prática a  Lei 10.639/2003, muito além de cozinhar, debater, refletir e viabilizar questões que não cabem tão somente no currículo oficial da rede de ensino do nosso país. Por se tratar do ensino da História das Civilizações Africanas, um assunto inédito nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, nunca estudado por nenhum brasileiro em sua formação acadêmica, é um lapso que se torna imperativo preencher. Por isso toda e qualquer iniciativa da sociedade civil e do governo que possam incluir em suas programações e informações nessa área, através de seminários, entrevistas, cinema, teatro e outras ações, serão sempre de grande valia para erradicar o nosso desconhecimento nesse assunto de grande importância e ignorado pelas autoridades por razões óbvias.

A discriminação racial no Brasil é responsável por parte significativa das desigualdades entre negros e brancos, mas, também, das desigualdades sociais em geral. Essas diferenças são resultado não somente da discriminação ocorrida no passado, mas, também, de um processo ativo de preconceitos e estereótipos raciais que legitimam, cotidianamente, procedimentos discriminatórios.

 A persistência dos altos índices de desproporções raciais compromete a evolução democrática do país e a construção de uma sociedade mais justa e coesa.

Para poder reverter esse quadro e promover um modelo de desenvolvimento no qual a diversidade seja um dos seus sustentáculos, no qual prevaleça a cultura da inclusão e da igualdade, faz-se necessário entender que a desigualdade racial no Brasil resulta da combinação de diversos fenômenos complexos, tais como o racismo, o preconceito, a discriminação racial, incluindo-se a discriminação institucional.

O enfrentamento desses fenômenos requer a atuação conjunta de um Estado efetivo com uma sociedade ativa e fortalecida. Requer ainda a articulação e a convergência de diferentes tipos de intervenção desde a repressão às práticas de racismo passando por ações de valorização da população negra e pela combinação de políticas sociais universais com politicas afirmativas.

Circuito Trilha do Baobá: Alimentando harmoniosamente a Trilha do Baobá



Promoção: Pólo de Inovação do Instituto Federal Fluminense, Instituto Historiar e Projeto Cores, Sabores e Valores.

Local: Polo de Inovação Campos dos Goytacazes. Endereço: BR 356, km 158 - Estrada Campos - São João da Barra/RJ (Martins Lage) CEP: 28000-000

Público Alvo: estudantes, professores interessados na cultura afro brasileira.

Proponente: Chefes de Cozinha Fabiano Seixas e João Aguiar, Escritor, Historiador e Pesquisador, Hélvio Cordeiro, Professora e Pedagoga Leandra Pires.

Data: 11/01/2017

Horário: Início: 14h – Término: 18h

Programação

Abertura: Recepção dos participantes e pronunciamento das autoridades presentes

Ato de Resistência: Plantação do Baobá, Árvore Sagrada dos Povos Africanos

Apresentação Musical: Cantora Jéssica Passos e Músico Leandro Cordeiro

Palestra: O Baobá, Escravidão, Africanidades e Hábitos Alimentares dos Negros no Brasil, Hélvio Cordeiro, Escritor, Historiador e Pesquisador, Diretor do Instituto Historiar.

Palestra: Lei 10.639/03, avanços e desafios na implementação nos currículos das escolas municipais,Leandra Pires, Professora e Pedagoga

Aula Show: Pratos Clássicos dos Quilombos de Campos dos Goytacazes da Cozinha Afro
brasileira, Chefes de Cozinha Fabiano Seixas e João Aguiar.

Quilombo de Conceição do Imbé:Cantão (carne seca com purê de banana nanica ou caturra verde)

Cozinha Afrobrasileira:
Escondidinho de Rabada com Mandioca
Apresentação Musical: Cantora Jéssica Passos e Músico Leandro Cordeiro

Encerramento: 
Certificação dos participantes
Proposta: divulgar as ações do Projeto Cores, Sabores e Valores, do Instituto Historiar, com a plantação de um Baobá, Árvore Sagrada dos Povos Africanos, no Circuito Trilha do Baobá, que tem exemplares plantados em Campos dos Goytacazes, São João da Barra e São Francisco do Itabapoana, assim como conhecer aspectos históricos e culturais da alimentação no Brasil; reconhecer os hábitos alimentares como um fator importante da identidade cultural do nosso povo; conhecer alguns pratos, utensílios e modos de preparo da cozinha brasileira; reconhecer a herança dos negros e negras na cozinha brasileira, a aplicabilidade da Lei 10.639/03 (História da África e Cultural Afro-Brasileira e Consciência política e histórica da diversidade), avanços e desafios na implementação nos currículos das escolas públicas.
Referência Bibliográfica: Durante a oficina estaremos preparando os pratos dos Quilombos de Campos dos Goytacazes, citados no livro "A Cozinha dosQuilombos: sabores, territórios e memórias", uma rica pesquisa do Instituto DAGAZ com o mapeamento dos Quilombos do Estado do Rio de Janeiro.

Mini Curriculo - Chef Fabiano Seixas

Fabiano Nascimento Seixas, também conhecido como Sepé, brasileiro, pai de Ernesto e Bernardo, hoje Chefe de Cozinha Offshore, começou seus estudos em Gastronomia na Unidade do SENAC em Campos dos Goytacazes , através do Curso de Técnicas de Cozinha e também pelo SENAC Macaé, através do Programa Nacional de Mobilização da Industria de Óleo e Gás  PROMINP), tendo também especializações em Culinárias Japonesas e Árabe, o diferencial em sua formação vem da participação direta no primeiro curso de Culinária Afro-brasileira, ministrado pela então Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, hoje Superintendência de Igualdade Racial, ligada a FCJOL, objetivando a preservação dos costumes e da memória cultural dos povos africanos que ajudaram a construir a cidade de Campos dos Goytacazes.
Com formação complementar, através do SEBRAE do Distrito Federal, participou do curso de Boas Práticas no Serviço de Alimentação (BPSA), objetivando a preparação e manipulação de alimentos dentro das normas estabelecidas pela Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Também tem cursos na Área de Primeiros Socorros Avançados, sendo membro constante das equipes de socorristas à bordo das unidades marítimas.
Tem uma coluna de comida de boteco na Revista Samba em Primeiro Lugar.
Hoje atua em plataformas e navios de exploração de petróleo e gás na Bacia de Campos dos Goytacazes-RJ, Bacia de Santos-SP e Bacia do Estado do Espírito Santo, tendo exercido seus dotes culinários no navio FPSO Cidade de Vitória, operado pela empresa Italiana SAIPEM/ENI, pela Catering Fratelli Cosulich, multinacional de origem também italiana, na  LC Administração de Restaurantes, nas plataformas de Pargo, P51, P56 e P65, preparado refeições coletivas e festivais de comidas típicas brasileiras e de outros países, na Unidade Catering atuou no FPSO Cidade de Ilha Bela, pioneiro no pré sal na Bacia de Santos-SP. Na  Marfoof participei de uma navegação à bordo do Navio Sonda de Perfuração Amaralina Star NS 43, na função de cozinheiro. Como cozinheiro no Restaurante Columbia do Hotel Ramada de Campos-RJ, recebeu treinamento na alta Gastronomia,  sendo membro da equipe do brilhante Chef francês, Brice Taciak.
Desenvolve pesquisas na área de culinária nacional e internacional que resulta nas ações do Projeto “Cores e Sabores”, com a ministração de cursoa e oficinas de Gastronomia Internacional e Nacional, principalmente com a utilização de ingredientes produzidos na região e com utilização de agricultura familiar.

Fariano Seixas, personal chef


Amiguinhos e amiguinhas, preparei um cardápio especialmente voltado para as confraternizações de fim de ano! Estou com algumas datas disponíveis! Tudo pensado e feito com muito carinho! Posso garantir, vai ficar gostoso pra caramba! Como funciona? Você escolhe as preparações que tem interesse (carne, peixe, frango, massas, molhos e sobremesas), e o número de pessoas a serem atendidas, forma de serviço(empratamento, rechauds, talheres, pratos, toalhas, etc),  assim como  prazo de entrega ou data para preparação no local combinado (home chef, personal chef), com base mas informações, elaboramos o orçamento.

PREPARAÇÕES PROPOSTAS


1.            Iscas de Filet Mignon ao Molho Madeira
Arroz à piamontese
Batata dauphinoise

2.            Peito de Frango Grelhado recheado com espinafre e mussarela
Arroz sete grãos
Legumes grelhados na manteiga (brócolis, cenoura e couve flor)

3.            Salmão Grelhado com molho holandês
Arroz Integral com brócolis
Batata rústica com azeite, alecrim e tomilho

SALADAS

Caprese [manjericão, mussarela de búfala e tomate].

Grega [legumes grelhados (berinjela, abobrinha, pimentões coloridos (amarelo, verde e vermelho cortado em cubos), salsinha, queijo Minas,  orégano e azeite].

Waldorf [maçã verde, aipo/salsão, alface, nozes, passas, creme de leite].

Marroquina [cuscuz marroquino, peito de frango desfiado, pimentões coloridos (amarelo, verde e vermelho, cortados em bronoise ), uvas passas e azeite].

Massas – preferencialmente massas italianas a base de grão duro

 - Penne
 - Fusilli
 - Talharim
 - Espaguete

Molhos
- Pomodoro (azeite, manjericão e molho de tomate,)
 - Quatro queijos (molho branco, catupiry, gorgonzola, mussarela e parmesão)
 - Carbonara (bacon, creme de leite, parmesão e ovos)
 - Parisiense (molho branco, parmesão, ervilhas e presunto)

Sobremesas: Duo de Brownie com Quindim e Petit Gateau com sorvete de creme.

Fabiano Seixas, personal chef

Personal Chef: Aulas,
Aulas Shows de Gastronomia,  Workshops, Palestras, Cursos, Eventos, Cozinha Brasileira e Internacional! Da comida de boteco aos pratos clássicos da culinária internacional! Além de Ações do Projeto Cores, Sabores e Valores.

Cozinheiro formado pelos Senac de Campos e Macaé, experiência em navios e plataformas offshore, restaurante de hotel.

PROGRAMAÇÃO - Psi Consciência!

PROGRAMAÇÃO:
15 HORAS - ABERTURA: exibição Documentário (59 min) sobre a trajetória do ex-senador Abdias do Nascimento - Professor, artista plástico, escritor,teatrólogo, político e poeta, Abdias foi pioneiro do movimento negro no Brasil ( Nascimento 14/03/1914 e Falecimento 23/05/2011).
Na sequencia:
- APRESENTAÇÃO do "O Grande Momento do Jongo" com o Grupo Núcleo de Arte e Cultura de Campos .
- GRUPO VEM PRA SAMBAR - ABRE RODA DE SAMBA
- APRESENTAÇÃO do GRUPO MÃOS NEGRAS - Capoeira/Maculele/Samba de Roda
- Mais samba com o GRUPO VEM PRA SAMBAR até...
OBS.: Durante o evento...
- o bar estará funcionando com bebidas e petiscos. Porém, haverá um prato especial sendo servido: CANTÃO - prato típico do Quilombo de Canceição do Imbé - preparado pelo competente parceiro FABIANO SEIXAS.
- Também haverá exposição de artesanato com a CrisRaquel

Apostila - Oficina de Culinária Afro Brasileira e Quilombola

Oficina de Culinária Afro Brasileira  e Quilombola


Fabiano Seixas, Chefe de Cozinha
Helvio Cordeiro, Escritor, Historiador e Pesquisador
Tamires Freitas, Estudante de Gastronomia



A formação da culinária brasileira

A Culinária africana ou cozinha dos negros se formou no Nordeste Brasileiro, mas teve origem no Recôncavo Baiano. Foi o Azeite de dendê que definiu economicamente, a participação  africana no sistema alimentar brasileiro. Podemos então falar em “comida de azeite”, ou “cozinha de azeite”, ou “de dendê”. E entender perfeitamente que nos referimos a toda uma serie de  comidas, de uma segura origem africana, pelo elemento tipificador, identificador de suas origens. 

Certo não será apenas o dendê que define a comida afro-brasileira. Não apenas um ingrediente  básico identifica a origem de uma comida num país pluriétnico como o Brasil, mas também as  técnicas de preparo, as situações sociais, portanto, culturais, em que a comida é servida, a  freqüência e outras circunstâncias indicadoras de sua proveniência. 

A participação da cozinha ou das cozinhas africanas no processo do sistema alimentar  brasileiro apresenta um aspecto particular, vem se fixando na dieta do povo desde o século XVIII.

A vinda do negro para o Brasil trouxe muito mais do que os brasileiros imaginam.

Nos navios, os negros, também trouxeram a sabedoria africana para sobrevivência através  da caça, do plantio, do conhecimento das e ervas para o tratamento das doenças e ainda na fabricação de ferramentas. Já em terras brasileiras as mulheres foram trabalhar nas cozinhas das  grandes fazendas, preparando os alimentos para os nobres. Desde então as iguarias utilizadas  pelos povos africanos se misturaram com a culinária brasileira e os cheiros já aguçavam os  sentidos em nossa terra.

A culinária cultural africana estava ligada aos rituais religiosos, para que não fossem  descobertos, os negros escravos tentavam esconder suas manifestações dentro das fazendas,  com isso acabaram relacionando seus deuses com os santos da religião católica, seguidas pelos  fazendeiros brasileiros.

Na África, segundo a tradição, os deuses do candomblé tiveram origem nos ancestrais dos 
clãs africanos. Seus adeptos acreditam que os homens e mulheres eram capazes de manipular as  forças da natureza. Nas senzalas ou barracões aconteciam as confraternizações sociais e eram lá  também onde a cultura era ensinada aos os outros.

Na culinária africana os alimentos são feitos de duas formas distintas, uma delas destinada  ao culto dos orixás e outra ao público visitante. Existem também as oferendas de bebidas, que podem ser feitas sozinhas ou acompanhadas de alimento.

No preparo da comida do santo os rituais são seguidos de forma minuciosa pelas  chamadas labás, que são as mulheres detentoras dos orixás, com suas vestimentas ritualísticas, suas contas no pescoço, em panelas de barro, com colher de pau, onde até mesmo o modo de misturar e abanar tem seus significados específicos. Após o preparo elas jogam búzios com  alubaça (cebola) para sabe se o orixá aceitou a oferta, caso não tenha sido aceita, elas recomeçam todo o processo ritualístico. A mesma comida também é feita para os visitantes, porém sem os mesmos detalhes, mas com a mesma atenção.
           
Na umbanda também tem ritual para o preparo dos alimentos dos orixás, porém com outra  bebidas e feitas de modo diferente.

O destaque da religião é o costume das entidades espirituais de reunir-se com os visitantes  e filhos da casa, bebendo vinho em confraternização de amizade. Para eles o ato de beber e reunir  pessoas amigas num mesmo círculo traz alegria e momentos de felicidade.

A tradição Africana trazida pelos negros para a Bahia nos hábitos das baianas de colocar  seus tabuleiros de acarajé (tornou-se Patrimônio Nacional Histórico, é de Salvador-BA, que é  considerada capital da cozinha afro brasileiro), montados nas ruas para venda dos seus quitutes. 
           
Nos dias de sexta-feira é fácil observar a homenagem a Oxalá, orixá deste dia, em seus tabuleiros  apenas doces na cor branca, entre eles cuscuz, tapioca, cocada, manjar de biju de coco e bolinhos  de tapioca. A Equedi (pessoa que auxilia os orixás) Maria Moura explica:

“Todos os orixás têm  suas preferências na culinária e para agradar na oferta o alimento tem que ser preparado com o  que ele gosta”.

Como exemplos de alimentos para orixás, destacamos: Xangô, o orixá da justiça,  gosta do Amalá (Carne de peito de boi), rabada com quiabo. Oxalá, o orixá que simboliza a paz,  gosta de cará (batata grande ou inhame branco) e eco farinha de acaçá ou de milho branco. 

Oxum, o orixá feminino dos rios e cachoeiras, gosta de algumas frutas e quindim. Iansã, o orixá feminino dos ventos, gosta de acarajé. 

O negro africano colaborou para o desenvolvimento populacional e econômico do  Brasil e tornou-se, pela mestiçagem, parte essencial de seu povo. Os africanos distribuíram-se por todo o  território brasileiro, em engenhos de açúcar, fazendas de criação, arraiais de mineração, sítios  extrativos, plantações de algodão, fazendas de café e áreas urbanas. Sua alimentação cotidiana na África por volta do século XVI incluía arroz, feijão (feijão fradinho), milho, sorgo e cuscuz,  carnes de caça abundante de antílopes, gazelas, búfalos, aves, hipopótamos e elefantes. Os  Africanos quando foram trazidos para o Brasil, já possuíam uma ampla sabedoria na Culinária,  alguns dos produtos que podemos enfatizar como marcantes na influência da culinária brasileira  são: o Azeite de Dendê, a feijoada, produto da adequação do negro no Brasil as condições  atribuladas da escravidão, a utilização de frutos do mar, como parte da alimentação. 

A alimentação dos escravos nas propriedades ricas compreendia canjica, feijão-preto,  toucinho, carne-seca, laranjas, bananas, farinha de mandioca e o que obtivesse com a pesca e  caça. Já nas propriedades pobres, era a farinha, laranja e banana. Os temperos empregados na  comida eram o açafrão, o óleo de dendê e o leite de coco. O cuscuz já era conhecido na África  antes da chegada dos portugueses ao Brasil, com origem no norte da África, entre os berberes.

A banana foi legado africano no século XVI e tornou-se essencial das plantações  brasileiras, circundando as casas dos povoados e as ocas das malocas indígenas, e decorando a  paisagem com o lento agitar de suas folhas. A banana foi a maior contribuição africana para a  alimentação do Brasil, em quantidade, distribuição e consumo. Da África ainda vieram a manga, a  jaca, o arroz, a cana de açúcar, o coqueiro e o leite de coco.

O dendê – azeite de uma palmeira de origem africana e de sua polpa se extrai o azeite que  dá a cor, o sabor e o aroma a tantas receitas.

Os negros trouxeram para o país a pimenta africana, cujo nome localizava a origem, 

Malagueta. A malagueta apenas adicionou o prestígio das pimentas brasileiras, que também  dominaram o continente africano. Quanto às carnes, o único animal africano que continua  colaborando no cardápio brasileiro é a galinha-d’angola.

Outra grande contribuição da cultura africana são os pratos como o vatapá, acarajé, caruru,  mungunzá, sarapatel, baba de moça, cocada, bala de coco e muitos outros exemplos. Mas uma  receita se destaca pela popularidade que é a feijoada. Trazida das senzalas, era feita das sobras  de carnes que os senhores de engenhos não consumiam.

Enquanto as partes mais nobres iam  para a mesa dos seus donos, aos escravos restavam as orelhas, pés e outras partes dos porcos,  que combinadas com feijão preto e cozidas em um grande caldeirão, deram origem a um dos  pratos mais saborosos e degustados da culinária nacional. Podemos falar que a influência africana  na culinária brasileira atuou em duas frentes: no modo de preparar, temperar e combinar os  alimentos e nos ingredientes trazidos do continente africano, pelos colonizadores.

Eles preferiam  assar os alimentos, assim como os índios. Verduras eram um acompanhamento comum à mesa,  assim como o quiabo.

Pirão – Angu

Hoje em dia, os pratos e os temperos da cozinha negra fazem parte da nossa alimentação. 

São sabores no dia a dia e também nas festas populares. Os caldos, extraídos dos alimentos  assados, misturados com farinha de mandioca (o pirão) ou com farinha de milho (o angu), são uma  herança dos africanos. Também vieram da África, tão importantes como coco e o café.

Feijoada

A feijoada começou a ser feita no Brasil, nas senzalas a partir de 1549, com a chegada 
dos primeiros escravizados da África.

Após o final da escravidão, o prato inventado pelos negros teria conquistado todas as  classes sociais, para chegar as mesas de caríssimos restaurantes no século XXI.

“Mas de suja a prato glorioso, já foi dito que a feijoada não era o prato em si, mas o  festim, a patuscada na qual comiam todo aquele feijão”. (AIMARD, Gustavo, em Le Brésil Nouveau).



“Acima de sermos negros, brancos, árabes, judeus, americanos, somos uma única espécie. Quem almeja ver dias felizes, precisa aprender a amar a sua espécie (...) Se você amar profundamente a espécie humana, estará contribuindo para provocar a maior revolução social da história.”




Acarajé, vatapá e caruru

Ingredientes

Massa do acarajé:

·         3 cebolas grandes cebola
·         1/2kg de feijão fradinho (quebrado)
·         Sal a gosto

Massa do Vatapá:

·         300 g de castanha de caju torrada
·         300 g de amendoim torrado
·         300 g de camarão seco
·         10 pães de sal amanhecidos
·         10 colheres de sopa de azeite de dendê
·         1 tomate
·         1 cebola
·         Cheiro verde (cebolinha, coentro, salsa) a gosto
·         1 pimentão
·         1 caldo de camarão
·         200 ml de leite de coco
·         200 ml de leite

Massa do Caruru:

·         10 quiabos cortados em pedacinhos
·         300 g de castanha de caju torrada
·         300 g de amendoim torrado
·         300 g de camarão seco
·         200 g de farinha de mandioca
·         10 colheres de sopa de azeite de dendê
·         1 tomate
·         1 cebola
·         Cheiro verde (cebolinha, coentro, salsa) a gosto
·         1 pimentão
·         1 caldo de camarão
·         200ml de leite de coco
·         1 litro de água
·         Azeite de dendê e de oliva para fritar os acarajés



Modo de preparo:

Massa do acarajé:

1.    Em uma vasilha coloque o feijão na água de um dia para o outro
2.    As casquinhas irão separar do grão.
3.    Retire os caroços e bata no liquidificador com a cebola picada e o sal.
4.    Bata bastante e depois despeje em outra vasilha e continue mexendo bem, batendo com o auxílio de uma colher de pau, isso fará o acarajé ficar fofinho.
5.    Após bater bastante os frite em azeite de dendê e de oliva bem quentes


Vatapá:

1.    Pique os pães e deixe amolecer no leite e no leite coco.
2.    Depois bata no liquidificador essa mistura e reserve.
3.    Bata no liquidificador a castanha, amendoim, camarão, junte aos pães e mexa
4.    Bata todos os temperos, menos o azeite de dendê.
5.    Junte tudo em uma panela, coloque o sal e o azeite e leve ao fogo, mexendo até que solte do fundo da panela.


Caruru:


1.    Coloque os quiabos para cozinhar na água e sal
2.    Após amolecer junte a farinha feita no liquidificador com castanha, camarão e amendoim e mexa, acrescente todos os temperos também batidos no liquidificador, o azeite de dendê e leite de côco.
3.    Deixe cozinhar bem, até que fique borbulhando.

Montagem:

1.    Parta os acarajés ao meio e recheie com Vatapá e caruru.
2.    De preferência deixe para fritar os acarajés na hora de servir.
3.    Pode ainda colocar uma salada de tomates verdes e camarão fresco.



 A Cozinha dos Quilombos de Campos dos Goytacazes: Sabores, territórios e memórias.
A comida, o alimento é combustível de vida, uma luta permanente pela sobrevivência.

(...) dividimos o pão, o alimento com pessoas singulares em territórios que jamais sonhamos existir, percebendo também nesse estado multifacetado, multicolorido de diversidade ainda se pode conhecer a tristeza do passado na memória do presente.
O que sonham essas famílias além da terra de direito?
Cidadania. Querem ser reconhecidos como cidadãos, ter seus direitos fundamentais reconhecidos. O sonho da liberdade ainda pulsa, uma liberdade sem paredes invisíveis, que dividem as camadas sociais do país.(...)
(...) É necessário que a história não morra, é necessário que os tambores ecoem os cantos vindos nos navios; é necessário dançar, é necessário o cantar, é necessário o reconhecimento, o pertencer, o tirar das amarras para que as vozes vindas da mãe África não se calem.
No fogão, a lenha aquece a água, a madeira trepida e a fumaça sobe levando consigo nosso olhar ate que desapareça no ar. Que seja esta a brasa que queimará  eternamente o calor da busca pelo reconhecimento de nossa brasilidade. Com os nossos pratos cheios de novas informações tentamos digerir todas as historias contadas e nos fartar com tanta esperança na fora da pele, na luta territorial, e, assim, declaramo-nos cidadãos brasileiros.
Marinez Teododo Fernandes, presidente do Instituto Dagaz.
Trecho da apresentação do Livro A Cozinha dos Quilombos: Sabores, territórios e memórias.
Preparações clássicas dos Quilombos de Campos dos Goytacazes
Quilombo do Batatal

A gente tinha a comida vinda da lavoura...

Na cozinha do pólo da Fundação Municipal Zumbi dos Palmares, destinado as comunidades do Imabé, Dona Berenice, de 54 anos, mas conhecida como Bidi, preparou a receita do ensopado de carne de porco com inhame e falou a respeito de suas experiências, como referencia temporal de partida, Dona Bidi utilizou o período da constituição do Assentamento Novo Horizonte: Ai, eu passei uma vida assim muito sacrificada. Meu esposo foi operado de coluna, tudo o que fazia não dava, né? Mas, ai, eu gostava de usar as coisas que eram mais fáceis para mim, Eu procurava pescar, fazer um ensopadinho de banana, um peixinho frito, ensopadinho de inhame rosa pra comer com aqueles peixinhos maiores [...] Minha comida era essa na época que passei a crise. Na época que eu vim para a reforma agrária [Assentamento Novo Horizonte], eu comia arroz de novo, que eu plantei com meu esposo, a gente colheu...
            Sobre os ingredientes utilizados na receita do ensopado de carne de porco com inhame, Dona Berenice explica:
- Bom, a historia que eu tenho é a seguinte... É que na época, a minha mãe e meu pai gostavam muito da lavoura, faziam muita lavoura, e ele tinha muita quantidade de inhame plantada, né? Não tinha escolha, qualquer tipo de inhame plantada, né? Não tinha escolha, qualquer tipo de inhame ele plantava na terra, como a gente fazia lavoura, não era difícil criar um porco [...] Era tudo fácil, porque aquelas coisas que a gente plantava serviam pra. Era tudo fácil, porque aquelas coisas que a gente plantava serviam pra alimentar a gente e servia também pra tratar os porcos. Ai, a gente tinha a comida vinda da lavoura e tinha a carne que era do porco. Ai, era mas fácil para nós. Então, minha mãe gostava sempre de fazer ensopadinho, ela [a carne de porco] fritinha, assadinha no forno de lenha, tudo isso.
Ensopado de carne de Porco com Inhame

Ingredientes

2 kg de costelinha fresca
2 cebolas
2 cabeças de alho
2,5kg de inhame
Alho a gosto
Alfavaca a gosto
Modo de preparo

O lombo deve ficar de molho durante 15 minutes na água com vinagre. Escorrer a água e cozinhar por 15 a 20 minutos na panela ate dourar, fritar na cebola e nos alhos picados. Cozinhar o inhame na panela de pressão por 15 minutos, ou ate desmanchar, e adicionar a carne.




Quilombo Conceição do Imbé
 Vem de geração em geração
A culinária é uma arte que precisa ser realizada com jubilo! Essa dica infalível da mãe da minha filha, Vanilda, com 57 anos, e Verônica, com 37 anos, expressam quando constroem novos sentidos para alimentos que, no passado, eram consumidos pelas pessoas da comunidade do Imbé.
Assim, de uma época em que nem sempre a realidade era festiva, trazem a tona recordações de algumas receitas, como, por exemplo, pelanca de velho, bolinho de farinha, água e sal; cantão de banana. Sobre a primeiro prata, Verônica destaca: Meu filho gosta tanto de pelanca de velho que ele escondeu debaixo do colchão.
            Entretanto, no tange ao quesito ressignificacao, a banana é a grande estrela. Tomando as rédeas da narrativa em suas mãos, Verônica conta: A historia que eu lembro, que o pessoal conta [...] que quando a usina faliu  e pessoal ficou desempregado, a banana era o prato principal. Banana cozida de manha, porque ai fazia a paçoca. Pegava a banana, cozinhava, botava farinha e açúcar, era o café da manha [...] na hora do almoço, era o cantão, e, na janta, o cantão de novo, porque não tinha outra coisa.
            Por vezes, conforme Verônica fala risonhamente, conseguir a banana demandava algumas peripécias:  - No alto dessa serra, ali tem um lugar que tinha muita banana, só que lá o acesso lá é terrível, a estrada é esburacada mesmo. Pra você ir lá, só a cavalo. A minha tia foi, botou um de um lado e outro do outro e foi  buscar banana, porque as crianças estavam todas com fome, passando necessidade. Ela e uma outra tia minha. Só que as duas não eram magrinhas eram fortezinhas. Foram no cavalo. O cavalo não estava agüentando as duas mais, abria as pernas, tentava deitar, cansado, suado. E as duas em cima do cavalo porque a altura é muito grande. Quando chegaram lá, encheram o cesto de banana e desceram as duas do cavalo. Daí, o cavalo não agüentou não, abriu as pernas e teve que deitar, porque não agüentou o peso. Pior que o cavalo não era delas, era do campeiro, e era um cavalo de raça. E as duas trepadas no cavalo, quase matando o cavalo. Elas desceram, ficaram batendo no cavalo para ele levantar. Foi quando veio um rapaz e falou: Oh, vou dar uma catucada, porque se não levantar agora, não levanta mais! Ai cutucou o cavalo, que saiu da carreira e as duas saíram correndo atrás. Quase mataram o cavalo por causa de pegar banana pra fazer a comida. [riso]. Gente, que coisa triste isso ai, hein?... Ai, essa foi a historia das minhas tias.
            Além disso, essa receita passa de geração para geração, conforme explica Dona Vanilda:  - Vem de geração em geração. Só que na época o pessoal comia por necessidade, hoje não. É um prato que todo mundo gosta. É totalmente diferente, hoje ninguém usa mais por necessidade, é porque gosta. Vê uma banana verde e faz o ensopado. Hoje, é totalmente diferente.
Cantão
Ingredientes
1 kg de carne seca
2 dúzias de banana nanica ou banana figo verde
Cebola a gosto
Alho a gosto
Cheiro verde a gosto
Modo de preparo
Dessalgar a carne seca fervendo-a cada fervura. Descascar a banana com faca, picar em cubos pequenos e colocar de molho  em água fria. Picar e socar a cebola junto com o alho, refogar em três colheres de sopa de óleo, deixar dourar e acrescentar a carne seca. Deixar cozinhar ate ficar bem macia. Reservar em outro recipiente.
Na panela que foi refogada e cozida a carne, cozinhar também a banana, cobrindo-a com o caldo dessa carne ate que a banana se desmanche. Deixar ferver e engrossar.
Servir com a carne e o arroz branco.

Referência:

A Cozinha dos Quilombos Sabores, territórios e memórias, Instituto Dagaz. Grafica Ediouro, Rio de Janeiro: 2015.