Movimento Estudantil do Norte Fluminense na mídia impressa:



Matéria do Jornal O Diário, edição impressa desta segunda-feira, destaca as ações dos estudantes através do MENF:

IDEAIS

Vivianne Chagas

Como diria Geraldo Vandré “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Assim nasceu o Movimento Estudantil Norte Fluminense (Menf). Após a tomada de um casarão localizado ao lado da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Campos, o grupo de universitários resolveu se organizar e lutar pela instalação de um alojamento e centro cultural no local. Em busca destes propósitos eles iniciam hoje a venda de livretos de poesia em sinais de trânsito e residências da cidade. “São pequenos livros produzidos pela nossa Coordenação de Cultura. Os textos são nossos e as capas também. Uma ideia que nasceu quando vimos um exemplar de literatura de cordel aqui na casa. A partir daí pensamos em propagar nossa cultura, nossas ideias e pensamentos através dessa arte”, explica Vítor Santana, morador da casa formado em artes cênicas e plásticas.

Também autora de alguns textos e moradora da casa, a universitária Bruna Mac, completa dizendo que este trabalho é o ensaio para um livro. “Nós queremos lançar um livro com este material. Por enquanto temos, além da arte feita pela Carol Laberti, dois textos meus, do Vítor e do Splintter, mas a ideia é que todos do movimento participem”.
A primeira tiragem conta com 100 exemplares. A proposta é ir de casa em casa e sinais de trânsito da cidade veiculando a cultura produzida pelo Menf. “A gente não tem muito apoio, então nossa intenção é fazer volumes periódicos, que serão vendidos a preços simbólicos. São textos com estilos próprios, que podem ser considerados como poesia marginal”, afirma Diego Fraga, o Splintter.

Vitor lembra a primeira grande inspiração, que foi batizada de “Domesticados”. O texto virou peça de teatro, através dele e do grupo de teatro Caixola de Baco. “Domesticados foi nosso primeiro grande trabalho. Fizemos apresentações na Taberna Dom Tutti e no Sesc da cidade. Agora com os livretos queremos nos aproximar da população. Vejo esse trabalho como uma forma viva de cultura. Pois sai das nossas mãos e é vendida por elas. Com isso temos a resposta imediata do público”.

Bruna acredita que indo até as pessoas será mais fácil passar as ideias do Movimento. “Não queremos ser classificados como o ‘povo do casarão’. Temos um ideal e lutamos por ele. Nossos interesses são sociais, por isso estar perto da população é importante para sabermos o que ela precisa, quais são suas dificuldades e talvez encontrar um poeta que possa contribuir com nossa causa”.

Já Splintter ressalta a história do município. “Nestes trabalhos também falamos de Campos. Vamos fazer o campista saber de sua própria cultura, que é tão rica com Alberto Lamego, Nilo Peçanha, José do Patrocínio e tantos outros nomes”.

Organização para manter a ordem na casa do Menf



Casarão que chegou a abrigar cerca de 30 moradores hoje conta com melhorias feitas pelo Menf

Tudo começou no dia 26 de setembro, quando cerca de 60 universitários tomaram conta da casa. A partir daí muitos se foram e muitos chegaram. Atualmente são sete moradores fixos. “Mas temos muitos agregados. Nas primeiras três semanas foi muito difícil implantar uma organização. Hoje temos uma horta, reuniões e dividimos os trabalhos em coordenações, são elas a de comunicação, de alimentação, limpeza, entre outras”, diz Bruna Mac.

De acordo com os jovens a família proprietária da casa não se manifestou contra a atitude deles. “Não fizeram nenhum contato. Apenas uma senhora que já morou na casa, por volta dos anos 70, esteve aqui e fez questão de nos apoiar. Na UFF estamos em contato com a diretoria. Fora isso o prefeito de Campos na época, Nelson Nahim, nos visitou, mas disse que não tinha como desapropriar a casa. Agora esperamos ter a oportunidade de mostrar nossos projetos à prefeita Rosinha”, afirma a estudante.

Enquanto brinca com o cachorrinho mascote da casa, chamado de Goita, Diego Fraga, o Splintter, fala de um documentário sobre a turma do Menf. “O Carlos Alberto Bizonho tem imagens sensacionais, ele acompanhou cada passo do início do movimento aos dias de hoje. Acredito que este material saia em 2011”.

As ideias mantidas pelo Menf não são poucas. “Já fizemos os eventos ‘Arte Marginal’ e ‘Dia da consciência negra’, este último contou com a presença do escritor Hélvio Cordeiro, que ministrou uma palestra para o público. No Natal fizemos outra grande festa com a presença de muitos amigos. Além disso, temos o Cine Pitaco, com exibição de filmes periodicamente, dentro do casarão”, lembra Vitor Santana.

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