O território do dinheiro

A queda-de-braços entre governos municipais e estaduais e o governo federal é mais que uma discussão técnica para saber quem deve arcar com o ônus das dificuldades financeiras dos 27 estados e dos mais de 5.500 municípios. A questão é a federação e sua inadequação aos tempos da nova história com a emergência da globalização. O que está em jogo é o próprio sistema de relações constituído, de um lado, pelos novos conteúdos demográfico, econômico, social de estados e municípios e a manutenção do conteúdo normativo do território, agora que face a globalização se produz um embate entre dinheiro globalizado e as instâncias político-administrativas do Estado brasileiro.

Definições

O território não é apenas o resultado da superposição de um conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sistemas de coisas criadas pelo homem. O território é o chão mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer aquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da residência, das trocas materiais e espirituais e da vida, sobre os quais ele influi. Quando se fala em território deve-se, pois , de logo entender que entender que se está falando em território usado, utilizado por uma dada população. Um faz o outro, à maneira da célebre frase de Churchill: primeiro fazemos nossas casas, depois elas nos fazem… A idéia de tribo, povo, nação e, depois de Estado nacional decorre dessa relação tornada profunda.

O dinheiro é uma invenção da vida de relações e aparece como decorrência de uma atividade econômica para cujo intercâmbio o simples escambo não basta. Quando a complexidade é um fruto de especializações produtivas e a vida econômica se torna complexa, o dinheiro acaba sendo indispensável e termina impondo como um equivalente geral de todas as coisas que são objeto de comércio. Na verdade, o dinheiro constitui, também, um dado do processo, facilitando seu aprofundamento, já que ele se torna representativo do valor atribuído à produção e ao trabalho e aos respectivos resultados.

SANTOS, Milton. Por um outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 15ª edição. Rio de Janeiro: Record. 2008. Págs. 96-97.

Nenhum comentário: