Choro que lava a alma


Túlio diz que perda da Taça GB fortaleceu o grupo, hoje pronto para ser campeão

"Do pranto veio a certeza: as lágrimas, que rolaram como desabafo, lavaram a alma alvinegra. Quando muitos apostavam que a exposição de sentimentos seria alvo apenas de chacotas e piadas, Túlio sabia que seu time seria outro após a sofrida perda da Taça Guanabara. Teve a certeza quando leu a faixa da torcida, destinada a ele, no primeiro jogo da Taça Rio, contra o América, no Engenhão: ‘Túlio, somos teimosos, não desistimos nunca. Perdemos um título, mas ganhamos um time guerreiro’.

Porta-voz de Cuca dentro de campo, elo dos jogadores com a diretoria, “sem ser X-9”, faz questão de destacar, Túlio entende que valeu a pena as tantas lágrimas derramadas. Os jogadores ficaram mais fortes emocionalmente e o time ganhou respeito da arbitragem, segundo ele.

“Sou passional, porque sou humano. E emoção assim só é expressada quando há comprometimento total com o trabalho, com a causa. Todos esperavam que o time fosse cair, sentir-se abatido, mas ao contrário: o grupo se fortaleceu. E hoje está preparado para ser campeão. Então, valeu a pena ter me exposto tanto”, conclui.

O coração está mais leve, a cabeça, mais centrada e os pés, fincados no chão. Túlio, que fez 32 anos na sexta-feira, nem precisava envelhecer para mostrar amadurecimento. Levou na esportiva as brincadeiras e os deboches ouvidos pelas ruas. Até autografou um lencinho para um rubro-negro. Mas prefere guardar só as inúmeras demonstrações de carinho e apoio. “Mas compreendo bem o deboche, a brincadeira. Sinal de que nos respeitam. Pior seria o desprezo”.

Para Túlio, o clube alvinegro é o de maior credibilidade do Rio, tem o melhor técnico, ‘que sabe montar um time do zero’, e uma equipe que se valoriza cada vez mais. Para o apoiador, o Alvinegro tem tudo para ser campeão também da Copa do Brasil e legitimar o ótimo trabalho desenvolvido por todos na temporada.

Em quatro anos, no máximo, o jogador deve encerrar a carreira no Botafogo, clube onde viveu todas as emoções: foi rebaixado para a Segundona, foi perseguido e vaiado pela torcida, voltou mais forte, e hoje é inspiração de um amor que ninguém cala.

A identificação com o clube e sua torcida é tamanha que Túlio mantém pertences pessoais no quarto que ocupa na concentração de General Severiano. Roupas, perfumes, toda a coleção de DVD’s de Chico Buarque e Bethânia, sapatos. Prova de que, ali, é mesmo sua segunda casa.

No jogo de hoje, pede que todos entrem focados só na vitória, e que erros de arbitragem ou problemas de contusão ou expulsão não tirem ninguém do sério. E encerra com um aviso de otimismo para a torcida. “Estamos prontos para levar o troféu”.

Um comentário:

Anônimo disse...

Imperdível! Veja em http://oliveirafilho.blogspot.com/ a Entrevista: Dr. Mocaiber sobre a nova Ponte. É muita cara-de-pau.