A vida depois do ecstasy - I

Doze dias em coma — depois de exageros em uma festa rave — e quase três meses internado em um hospital para recuperação fizeram o estudante Jorge (nome fictício), 21 anos, pensar a vida de uma forma diferente. “As pessoas vêm e vão, seus bens materiais vêm e vão também. Sua felicidade deve vir de dentro. O motivo que não falta para ser feliz: você esta vivo, respirando”. Jorge tenta retomar a vida e os planos de um jovem que deixou a família no Interior de Minas Gerais para estudar e se tornar médico. As festas, os eventos de música eletrônica e o ‘churrálcool’ na casa de amigos, porém, já não têm mais valor desde o dia 28 de outubro do ano passado. Foi quando chegou ao Hospital Estadual Prefeito João Cáffaro, em Itaboraí, inconsciente, com quadro de desidratação e crise convulsiva, provocados pela overdose de ecstasy consumido na rave.Era para ser apenas mais um dia de agito com a turma da faculdade na festa Tribe, no sítio Happy Land, mas Jorge consumiu ecstasy, bebeu vodka e passou muito mal. A família precisou vir para o Rio e, três meses depois, se reveza numa rotina que não tem sido fácil desde que o rapaz teve alta do Hospital das Clínicas, em Teresópolis, cidade onde mora.
“Confiava na educação que tinha dado. Ele nunca me deu trabalho, tem um coração de ouro e se deixou levar pelas más companhias. É muito difícil para uma mãe deixar sua casa e viajar durante horas para chegar no hospital e ver seu filho quase...”, conta a mãe, interrompendo a fala ao lembrar do estado em que encontrou Jorge. “Graças a Nossa Senhora Aparecida ele nasceu de novo e está se recuperando”, consola-se a mãe do rapaz.
Ela conta como o jovem deixou de lado a vida social, evita sair de casa e quase não tem mais contato com os amigos que o acompanharam àquela festa. Jorge não ficou com seqüelas psico-motoras, mas apresenta dificuldade na fala, por causa da traqueostomia, e de respirar — reflexo do longo tempo de internação, que provocou danos aos pulmões. Dias depois de acordar do coma, escreveu um bilhete para a mãe, desculpando-se e contando o que teria acontecido na rave.
“Vou levar isso comigo para sempre. Ele pediu um papel e foi escrevendo que bebeu um copo d’água dado pelos amigos. Dentro, ele falou, tinha um pedaço de um comprimido vermelho. Por que fizeram isso com ele? Os médicos me garantiram que ele não era viciado porque, senão, não teria sofrido tanto com as reações”, contou a mãe do estudante.

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