Eles só podem estar de sacanagem.

Não encontrei outra frase para descrever a sensação que tive agora a pouco, ao chegar da cidade maravilhosa, onde participava das atividades da Bienal de Arte, Cultura e Tecnologia da UEE-RJ.
Ver a estátua do Tigre da Abolição no chão, numa total falta de respeito à memória do grande abolicionista José do Patrocínio, um dos poucos heróis da cidade. Já não basta o que fizeram com o índio? E os painéis que retratavam a cultura afro-brasileira na rua Carlos de Lacerda que foram retirados para agradar aos comerciantes daquela região, onde estão? Provavelmente tiveram o mesmo destino da cultura da nossa cidade, foram jogados no lixo.
Fiquei com certa revolta, vontade de invadir o Palácio da Cultura e erguer novamente a estátua do revolucionário campista, deixa-lo novamente de pé, como eu sempre gostava de passar ali e vê-lo, pois para mim representava um dos investimentos sérios em cultura feito na cidade, fato raro, pois aqui o que mais se busca é alienar o povo, esconder as suas origens, seus vultos históricos, a sua cultura.
Eles só podem estar é de sacanagem, logo na semana que o país inteiro traz a tona o debate sobre a questão da luta pela igualdade racial, os governantes de Campos optam por entrar na contramão da história, tratar com descaso a nossa memória.
Passou pela minha cabeça a imagem do quadro do José do Patrocínio, com seus fitos no horizonte, que sempre tinha a oportunidade de ver no hall de acesso a sala da Diretoria Geral do Colégio Estadual José do Patrocínio, uma escola pública, onde estudei e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais da história deste mulato que fez parte de um dos maiores movimentos libertário dos últimos tempos.
O momento é de ampliar os espaços, criar novas oportunidades para outros artistas e não ficar pagando de crianças, brincando de casinha, trocando os móveis de lugar.
È hora de agir com maturidade e respeito ao bem comum, a coisa pública e zelar pelo pouco que ainda resta de História na cidade, ou será que vamos ter que nos acostumar sempre com os quadros ilustres que não se cansam de sair nas colunas policiais?

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