Bons momento no Complexo Cultural Fazenda Machadinha em Quissamã






Uma oportunidade ímpar!
Acabo de chegar da cidade de Quissamã, onde tive o privilegio de prestigiar a inauguração do Complexo Cultural Fazenda Machadinha.
Ao lado da colega de classe do curso de Geografia, Jéssica que também é Graduada em História, Pós-Graduada em História da África, tive o privilégio de ter uma aula magna antes de chegar à Quissamã, onde ela ressaltou as os projetos desenvolvidos enquanto pesquisadora, consultora educacional de cultura afrobrasileira junto a diversas prefeitura da região.
Visitamos as senzalas de Machadinha, que são alguns dos exemplos de moradia mais tradicional de Quissamã, visto que seus habitantes, que já se encontram na 8ª geração dos antigos escravos da fazenda, continuam a viver no mesmo lugar onde moravam seus antepassados. Eles mantêm ainda, em seu cotidiano, inúmeras tradições referentes à culinária típica das senzalas e as danças populares do local, através de grupos de Fado, tocadores de tambor (jongo) e do Boi Malhadinho, que se apresentam em ocasiões festivas.

Aqui foi plantada para sempre uma passagem vergonhosa da escravidão no Brasil. Porém, o tempo fez semear a esperança e daqui nascerá um futuro próspero. Distribuindo os frutos do desenvolvimento para as novas gerações.”
Otávio Carneiro, Prefeito

Quissamã é uma cidade turística. A herança gastronômica, cultural e histórica de Quissamã vem das antigas fazendas de cana-de-açúcar. São muitas atrações pelas mais de 20 antigas casas-grande sendo que, seis estão abertas para visitações que devem ser agendadas com as agências de turismo local.

O projeto Raízes de Sabor, revitaliza a culinária afro-brasileira da antiga fazenda Machadinha, construída no século XIX. São receitas saborosas. Uma visita à fazenda permitirá que o turista conheça o “mulato velho”, uma feijoada especial, feita com filé de peixe salgado e pedaços de abóbora, a “sopa de leite”, carne-saca assada coberta com o pirão de leite; e a “sanema”, doce feita com mandioca, ovos, coco e manteiga batida. A massa é enrolada e assada dentro da folha verde da bananeira. O “Capitão de feijão”, bolinho de feijão temperada, dispenso acompanhamentos, É uma rica culinária do século XIX que você pode experimentar e se deliciar com os diversos pratos.
Uma viagem no tempo que vale pena conferir. As antigas fazendas de cana-de-açúcar manifestações culturais de jongo, o fado, a culinária, as praias, as lagoas, tudo num só lugar.

Quem os Kissamas?

Os Kissamas são um povo que vive nas proximidades de Luana, no outro lado do Rio Kwanza, e que sempre resistiu aos portugueses. Eles eram divididos em numerosos reinos, diferentes reis que governavam os vários grupos Kissamas, mas todos se tornaram famosos na história de Angola pela resistência que sempre opuseram à invasão portuguesa em seus territórios. Os portugueses por várias vezes tentaram subjugá-los e só conseguiram fazê-lo já na terceira década do século XX. São poucos os Kissamas que foram trazidos para o Brasil, relativamente poucos, porque embora tenham dado combate aos portugueses e tenham sido combatidos pelos mesmos, eles eram povos extremamente guerreiros, muito belicosos, difíceis de serem escravizados, de maneira, que não vieram em grande número para o Brasil, mas sempre vieram. Tanto vieram que um deles veio terminar nesta terra e acabou lhe dando o nome.

Alberto da Costa e Silva (Historiador) – Quissamã, RJ, 09 de junho de 2008.

Kissamas: civilização originária de Angola, da região de Kissama. Hoje é uma reserva que abriga um parque florestal, mas no passado funcionou como um local de captura de escravos.


“A liberdade em si não é nada. Para extinguirem os traços e feridas seculares não basta dizer:“Pois bem, vocês são livres. “Livres para fazerem o que quiserem, para escolherem a orientação que mais lhes agradar”.Quando alguém passou anos agrilhoado, para fazer justiça não basta livrá-lo das correntes e lhe dizer; “Vai, você está livre para competir com os outros”. O que desejamos é a liberdade acompanhada das oportunidades reais de exercê-la acompanhada das oportunidades reais de exercê-la, a fim de que a igualdade não seja um princípio abstrato, mas uma realidade tangível, um verdadeiro passou à frente”.

Martin Luther King.

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