MESTRES DA POESIA

Carlos Drummond de Andrade
RETORNO

Meu ser em mim palpita como fora
do chumbo da atmosfera constritora.
Meu ser palpita em mim tal qual se fora
a mesma hora de abril, tornada agora.
Que face antiga já se năo descora
lendo a efígie do corvo na da aurora?
Que aura mansa e feliz dança e redoura
meu existir, de morte imorredoura?
Sou eu nos meus vinte anos de lavoura de sucos agressivos,
que elabora uma alquimia severa, a cada hora.
Sou eu ardendo em mim, sou eu embora năo me conheça mais na minha flora
que, fauna, me devora quanto é pura.

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