Tarso defende punição para quem matou e torturou na ditadura

Monumento ‘Tortura Nunca Mais’, do arquiteto piauiense Demetrios Albuquerque- imagem extraída do site www.demetrioesculturas.com(clique na imagem para ampliar)

O ministro da Justiça, Tarso Genro, defendeu, há pouco, a punição de militares, policiais e agentes do Estado que tenham praticado tortura, assassinatos e violações dos direitos humanos durante o regime militar (1964-1985). No entender do ministro, essas práticas constituem crimes comuns, e não crimes políticos, e por isso seus autores não podem ser beneficiados pela anistia de 1979.

Genro fez as declarações no Ministério da Justiça ao abrir uma audiência pública que tem por tema "Limites e Possibilidades para Responsabilização Jurídica dos Agentes Violadores de Direitos Humanos durante o Estado de Exceção no Brasil". O ministro afirmou que a defesa da punição de torturadores e assassinos não é "revanchismo" do governo, e sim parte de uma discussão democrática e necessária. "O povo e o governo que têm vergonha têm de fazê-la, sem se incomodar com insinuações de pequenos blogs que nos acusam de revanchismo. É uma discussão de fundo sobre as instituições da República e o futuro da democracia", declarou Genro.

A audiência pública, no ministério, tem por objetivo analisar a definição de responsabilidades, tanto no plano civil como no plano criminal, de agentes do Estado que mataram e praticaram torturas, 1964 e 1985, período em que o País foi governado por militares. Para o ministro da Justiça, os violadores dos direitos humanos agiram fora da ordem do próprio regime militar: "A partir do momento em que o agente do Estado pega o prisioneiro e o tortura num porão, ele sai da legalidade do próprio regime militar e se torna um criminoso comum. Não foi um ato político. Ele violou a ordem jurídica da própria ditadura e tem que se responsabilizado."

Tarso Genro afirmou que esse tipo de crime não é político, e sim crime comum, e disse que a anistia, no caso brasileiro, beneficiou apenas os autores de crimes políticos. "A anistia não foi um ponto de chegada, mas um ponto de partida do processo de reconciliação nacional", declarou o ministro.

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