Inimigos bem íntimos! Botafogo e Goiás


Carlos Alberto terá pela frente, hoje, seu irmão, o volante Fernando, do Goiás
Ricardo Mota

Quando a bolar rolar às 20h30 de hoje, no Engenhão, para a partida entre Botafogo e Goiás, a família Gomes de Jesus vai ficar em cima do muro. Em frente à TV vão estar Carlos Alberto e Maria de Fátima, pais do alvinegro Carlos Alberto e do alviverde Fernando. Será a primeira vez que os irmãos vão se enfrentar.

“Posso dizer que será um momento de vitória para família”, disse o jogador do Botafogo.

O pai vai ficar ainda mais angustiado. Botafoguense de coração, pensou em nem ir ao estádio, mas mudou de idéia, já que não pretende perder o momento especial da família.

Já o coração da mãe tem espaço para os dois times: Carlos Alberto Futebol Clube e Fernando Futebol Clube.

O garotos começaram a carreira no Fluminense. Ainda criança, quando batiam bola sem imaginar que se tornariam profissionais, Carlos Alberto, de 23 anos, era chamado de ‘Nem’.

Já o irmão, de 22, era o ‘Bochecha’ ou ‘Magrinho’. “Isso era uma coisa muito da nossa família. Minha mãe falava: vem cá neném, mas eu não conseguia repetir, só pronunciava ‘Nem’, e o apelido pegou. Meu irmão era magrinho e bochechudo”, explicou o apoiador.Hoje, em campo, Fernando terá a missão de marcar o irmão.

Carlos Alberto quer que o duelo termine da melhor maneira possível, para ele. “Com uma vitória do Botafogo, claro.

Somos profissionais. Se ele me fizer uma falta, vou falar para o juiz dar cartão”, brincou o apoiador, que sabe muito bem quem tem que mandar no Engenhão: “Ele precisa me respeitar.

O Fernando vai jogar na minha casa, e não pode sentar no sofá sem pedir permissão”.

Enquanto a chance para jogarem juntos não chega, Carlos Alberto fica na torcida por Fernando. “Ver o meu irmão atuando bem é um orgulho muito grande”. Na busca para fazer o Botafogo subir ainda mais na tabela, Carlos Alberto vai ter a ajuda de Lúcio Flávio. O apoiador, que esteve barrado por um jogo, entra no lugar de Zé Carlos, machucado.

“O time ganha muito no passe.

O Lúcio Flávio não tem aquela chegada forte na frente, mas tem um belo passe e faz com que os companheiros joguem melhor”, disse Carlos Alberto.

O técnico Ney Franco festeja o fato de ter conseguido dar uma cara ao Botafogo.

“A equipe foi muito bem contra o Atlético-MG e mesmo assim mudei para o jogo seguinte. Mas são poucas alterações, a estrutura básica do time permanece desde que comecei a trabalhar”, explicou o treinador, que quer terminar o primeiro turno a pelo menos três pontos do quarto colocado.

E para conseguir seus objetivos, o Botafogo torce para Carlos Alberto no duelo com o irmão. Mas sem quebrar a harmonia da família Gomes de Jesus.

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