VÔLEI DE PRAIA: Márcio e Fábio Luiz são prata

Márcio e Fábio Luiz buscam o ouro contra americanos. Antes, Emanuel e Ricardo tentam o bronze

Ricardo e Emanuel sempre funcionaram como espelhos para eles. Nas vezes em que se enfrentaram, foram mais derrotas do que vitórias. Mas a de ontem, por 2 sets a 0 (22-20 e 21-18), teve significado especial. Se há um mês Márcio e Fábio Luiz disputavam a segunda vaga para os Jogos de Pequim, agora jogarão pela medalha de ouro, com o aval de terem batido os atuais campeões olímpicos. A última pedra no caminho, à meia-noite de hoje (no horário de Brasília), são os americanos Todd Rogers e Phil Dalhausser.
“Nós fomos do inferno ao céu. Ganhar deles era praticamente impossível, porque estavam numa crescente e são leões na praia. Tivemos que jogar 120%. Vou dar o meu sangue contra os EUA. Cheguei tão perto de uma medalha em 2004... Foi uma decepção, mas a vida é uma roda”, disse Márcio
Eliminado nas quartas-de-final em Atenas, ele não quer deixar a nova oportunidade escapar. Antes mesmo de entrar em quadra contra os americanos, o tom da rivalidade já foi dado: “Rogers disse que eles preferiam jogar contra a gente, e agora vão ver o que é bom. Vamos ver qual hino vai tocar. Vai ter de mostrar que é o bonzão”.
É o bom retrospecto contra os adversários da final que o faz acreditar na conquista do título. Foram seis vitórias brasileiras contra duas dos americanos. “Estávamos com um bom vôlei guardado no coração e ele saiu na hora certa", disse Fábio Luiz, campeão mundial em 2005.
A felicidade dele e seu parceiro contrastava com o abatimento de Emanuel. Aos 35 anos, pretendia quebrar paradigmas em sua quarta participação nos Jogos, já que até então nenhuma parceria havia chegado a duas Olimpíadas com a mesma formação e muito menos vencido duas vezes seguidas. Para isso, após Atenas, ele e Ricardo mudaram a forma de jogar, apostando mais na velocidade. Mas os erros na semifinal falaram mais alto que o talento.
“Eles jogaram com ritmo forte e mereceram ganhar. Não tinha que ser. Agora, temos que focar no bronze, que também é medalha”, afirmou Emanuel, que, ao lado de Ricardo, terá como adversários, pouco antes (às 22h), os brasileiros da Georgia, Renatão e Jorge, que atuam com os nomes de Geor e Gia.
Não tem a cor que eles queriam, mas poderá marcar a despedida olímpica da dupla. Desde o início dos Jogos, Emanuel tinha em seu ipod, entre os hits da década de 80, o Hino Nacional. Queria ouvi-lo mais uma vez do lugar mais alto. Ele considera que o trabalho de seis anos é mais do que um casamento, porque aquela não é a pessoa que você escolheu para ficar, mas sim a melhor para se chegar onde se quer. Tentou com Loyola, com quem só falava quando iam treinar, tentou com Zé Marco, com quem tinha uma grande amizade, e acertou com Ricardo.
“No próximo ciclo, não vou estar tão capaz como agora, mas sou movido a medalhas. Vamos ver. Com Ricardo não houve tempo ruim. Não tivemos dúvidas em momento algum durante esse tempo todo. Aprendi com ele, com aquele estilo baiano, a ser mais maleável, a deixar a vida levar. Comigo, ele aprendeu a falar mais, a conversar. Começamos como rivais e hoje ele é meu irmão. Ele sabe quando tem que me falar as coisas que preciso ouvir. E eu sei como ativá-lo também”, admite Emanuel.
Dono de cinco títulos Mundiais e um olímpico, ele fica satisfeito ao dizer que a dupla já deixou sua assinatura no vôlei de praia por ter buscado variação de jogadas que não eram feitas pelas demais. “Não sei se somos uma parceria perfeita. Nós demos certo, assim como Romário e Bebeto, Hortência e Paula, Oscar e Marcel, Shelda e Adriana Behar, e Walsh e May”, sorri.

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